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Caso Mega-Sena: a maior aberração estatística da história
Uma única pessoa teria feito três apostas iguais, por engano, no meio de várias outras
Redação Correio da Cidade Santo Estevão - BA
Postada em 04/01/2018 ás 13h10
Caso Mega-Sena: a maior aberração estatística da história

(Alec051/iStock)


Dos 17 bilhetes premiados na Mega-Sena, três são de uma única lotérica, em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. Isso já seria uma aberração, mas a Veja apurou que o buraco é ainda mais embaixo: uma única pessoa teria feito três apostas iguais, por engano, no meio de várias outras.


Se ela tivesse sido a única ganhadora, não faria diferença. Essa pessoa levaria os R$ 306,7 milhões com um bilhete ou com 10. Mas, como houve vários ganhadores, a história é bem diferente.


Com o prêmio em R$ 306,7 milhões, cada um dos 17 bilhetes premiados deu direito a R$ 18 milhões, certo? Se o apostador, ou apostadora, de Parelheiros tivesse feito um jogo só, teríamos 15 ganhadores, e cada um terminaria com R$ 20,4 milhões. Mas não. Ele fez três, então ganhou o direito a três das 17 “cotas” vencedoras. E levou R$ 54 milhões; o triplo do resto.


Para todos os efeitos, então, é como se esse sujeito tivesse ganhado três vezes na Mega-Sena, o que nos deixa diante de uma das maiores anomalias estatísticas da história da humanidade. Se não a maior.


A chance de vencer na Mega com um jogo simples, de seis números (como foi o caso aqui) é de uma em 50 milhões. A de vencer duas vezes, porém, não é de 100 milhões, mas de 50 milhões vezes 50 milhões. Isso dá uma chance em 2 quatrilhões (o número 2 seguido de 15 zeros, ou 2 x 10ˆ15, em notação científica). A chance de ganhar três vezes, então, é de 50 milhões ao cubo. Ou seja: 125 sextilhões, ou 125 mil bilhões de bilhões – 125 x 10ˆ21.


Para você ter uma ideia de quão grande é este número, imagine que, há 125 sextillhões de segundos, o Big Bang ainda não tinha acontecido. O Universo existe há 13,8 bilhões de anos. Isso dá “só” 430 quintilhões de segundos – um número mil vezes menor que a sorte do apostador de Parelheiros.


Em seu livro “O Universo Elegante”, o físico Brin Greene dá um exemplo bacana para explicar o tunelamento quântico – grosso modo, a propriedade que partículas subatômicas têm de desaparecer num lugar e aparecer em outro, como se tivessem atravessado uma parede. Greene mostra que tais aberrações até poderiam acontecer no mundo das coisas grandes. Você teria como atravessar uma parede se todas as zilhões de partículas que formam o seu corpo sumisse e reaparecessem do outro lado ao mesmo tempo. “Se você tentar atravessar um muro um vez a cada segundo, você vai ter de esperar mais tempo do que a idade corrente do Universo para ter uma boa chance de sucesso. Com paciência (e longevidade) eterna, porém, você acabaria aparecendo do outro lado, cedo ou tarde”, diz Greene.


É isso. Se o apostador de Parelheiros tivesse gasto sua sorte tentando atravessar um muro, tudo indica que ele teria conseguido. Agora, porém, ele vai ter de se contentar com seus R$ 54 milhões mesmo.


 


 




 

 



FONTE: Revista Super Interessante
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